O ano de 1988 foi de eleição à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Quando um candidato nos procurou, nossos olhos ganharam um brilho especial. "É agora!" - pensamos. Queridos e respeitados em nossa localidade, usamos essa qualidade como argumento ao candidato e lhe expusemos nosso projeto. Este nos emprestou uma sala que servia de comitê eleitoral e, reunidos os elementos suficientes para formar a diretoria, foi fundada a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, no dia 7 de setembro de 1988. Na diretoria, assim constituída, eram somente três os cordelistas: o presidente, Gonçalo Ferreira da Silva, o vice, Apolônio Alves dos Santos e o diretor cultural, Hélio Dutra.

Nossas primeiras reuniões foram realizadas na sala de um político, que não cobrou pelo aluguel. Passados, porém, os momentos iniciais de euforia e vencido o prazo de cessão da sala, iniciamos um doloroso período de peregrinação. Como Groo, o errante, nossa instituição não tinha pousada certa.

Gonçalo e o acervo de 13 mil títulos

"Tocados, naturalmente,
por pensamento divino
o presidente Gonçalo
e o general Peregrino
fizeram São Saruê
e nossa ABLC
unidas num só destino.

A solene transferência
do acervo cultural
de São Saruê foi feita
pelo próprio general
em reunião plenária
numa sessão ordinária
foi tornada oficial."

HINO DA ABLC

Da inspiração mais pura,
no mais luminoso dia,
porque cordel é cultura
nasceu nossa Academia
o céu da literatura,
a casa da poesia.

Com infinita alegria,
com sentimento fraterno
dedicaremos eterno
amor à Academia,
ela será nosso guia
na alegria e na dor,
pois não há maior doutor
nem mais nobre formatura
que eleve a criatura
como a formada em amor.

Decreto celestial
há milênios redigido
é finalmente cumprido
quando a posição astral
oferece visual
de pura e rara beleza
em que vemos com clareza
unidos nossos destinos
nos estatutos divinos
no livro da natureza.

Autor: Gonçalo Ferreira da Silva

FUNDADORES DA ABLC

Apolônio Alves dos Santos
José João dos Santos(Azulão)
Cícero Viera da Silva(Mocó)
Expedito Ferreira da Silva
Elias A. de Carvalho
Gonçalo Ferreira da Silva
Hélio Dutra(Santa Rita)
Manoel D`Almeida Filho
Paulo Nunes Batista
Eunice Cézae Souza
Miriam Machado Bellini
Cícero Quaresma Fernandes
Sebastião Campelo(Sepalo)
Waldomiro Félix Galvão
Rodolfo Coelho
Cavalcanti Filho
José Alves Sobrinho
Gonçalo Gonçalves Bezerra
Minelvino Francisco Silva
Homero do Rêgo Barros
Francisco Sales Arêda
João Lucas Evangelista
Abraão Batista
Pedro Bandeira de Caldas
João de Cristo Rei
João Alves Santos
Salomão Rovedo(Sá de João Pessoa)
Severino Borges da Silva
José Costa Leite
Ivanildo Vila Nova
Luiz Gonzaga de Lima
João Firmino Cabral
Manoel Pereira Sobrinho
Manoel Alves de Souza(Santa Maria)
Eneas Tavares dos Santos
Antônio Teodoro dos Santos
Antônio Alves de Lima
Manoel Messias
Maria do Livramento

Penosamente, algumas das reuniões foram realizadas em bares, lanchonetes e restaurantes, até que um dia, em visita da diretoria da Academia Internacional de Letras, a figura de Abelardo Nunes se agigantou, abrindo-nos caminho em direção à Federação das Academias de Letras do Brasil, onde passamos a fazer nossas reuniões. Era o ano seguinte àquele em que foi fundada nossa academia. Aí, sim, tivemos como elaborar um calendário acadêmico, criamos um quadro de beneméritos e iniciamos uma sólida ponte de informações culturais, unindo nossa entidade aos principais centros de difusão da literatura de cordel no Brasil e no mundo. Com a comunidade acadêmica nos olhando de soslaio entre perplexa e zombeteira, partimos para a consolidação do nosso quadro acadêmico. Era o ano de 1990.

Umberto Peregrino

Umberto Peregrino, então Diretor da Biblioteca do Exército e fundador da Casa de Cultura São Saruê, grande amante da Literatura de Cordel, conhece Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da ABLC, e se tornam grandes amigos. Com esta aproximação, surge em Umberto Peregrino a idéia de fazer a transferência do acervo cultural de São Saruê para a Academia.

Máquina usada por Gonçalo Ferreira da Silva

Hoje o corpo acadêmico da ABLC é composto de 40 cadeiras de membros efetivos, sendo que 25% destas cadeiras podem ser ocupadas por membros não radicados no Rio de Janeiro.